domingo, 19 de julho de 2015

Workshop de Home Studio - Recife Lo-fi no 25º Festival de Inverno de Garanhuns

O projeto Recife Lo-fi se transformou em um workshop de três (03) dias dentro da programação oficial do Festival de Inverno de Garanhuns (FIG)com foco em capacitar os participantes (iniciantes, músicos, locutores, etc) na criação do seu próprio HOME STUDIO (estúdio caseiro) abrangendo técnicas básicas de gravação, mixagem e masterização de áudio (músicas, trilhas, locuções, podcasts, etc) com equipamentos de baixo custo, assim como nos meios de divulgação dessas ideias, fomentando a produção fonográfica independente no estado de Pernambuco. 

Atenção! O curso é gratuito e tem carga horária de 12 horas nos dias 21, 22 e 23 de julho das 14h às 18h. O total é de vinte (20) vagas, inscrições no local, participe!

Facilitador: Zeca Viana é pesquisador, músico e produtor independente, licenciando em Filosofia pela UFPE com foco em Filosofia da Música.
Divulgação

terça-feira, 12 de maio de 2015

Entrevista com Graxa: "Aquele Disco Massa"

Estamos retomando as atividades do Recife Lo-fi e tivemos uma conversa direta e sincera com Graxa, por trás do nome Angelo Souza, participou do terceiro e quarto Recife Lo-fi e falou, entre outras coisas, sobre o novo álbum "Aquele Disco Massa", Jiquiá, política e literatura. Recife Lo-fi está de volta e Graxa também com um novo álbum, se liguem que a coisa é fina! Auuuu!





1 - Tu lembra a primeira vez que tu achou que tocaria ou iria compor alguma coisa nessa área de música?

Então, eu desde de guri criava alguma coisa: fazia mais de livro, inspirado, referência direta, aos super heróis. também fazia quadrinho com boneco palito. Aí teve um tempo que meu pai comprou um gravador de fita e me mandava cantar pra registrar - essas fitas sumiram valendo. tinha de vídeo cassete também. vídeos da minha casa, filmando a família em geral. Aì depois ele comprou pra mim um violão, todo cagado o violão era. aí eu ficava compondo, coisa de guri mesmo. aí, com o passar dos anos, que eu conheci o pessoal, foi que eu me entrosei e tentei/fui compondo pra colocar minhas músicas no repertório das bandas que participei, em tudo. Foi mais um lance de continuidade.

2 - Tu acha que morar no Jiquiá foi decisivo, ou, de certa forma importante, pra tu tá fazendo o som que tu faz hoje?

Sim, totalmente. o meio influi muito. Tanto o meio como questões de características pessoais. Uma coisa complementa a outra. Todo um lance de história pessoal que se desenvolve com o passar dos anos.

3 - Saquei, nessa questão de gravar desde criança, ainda hoje é um hábito?

Sim. Registro total. Depois que eu comprei uma plaquinha de som e um mic, vez ou outra, eu procuro gravar algo, ou até mesmo num celular.

4 - As gravações são "assinadas" como Graxa, daí uma questão: onde começa Graxa e termina Angelo?

Algumas não. Teve o Biu Grease, tem também Graxeboratha, tem o Tsc... São vários trabalhos com nomes diferentes, mas que sou eu que faço - o Graxeboratha junto com Baratha, Phebo, uma vez com Jean e com Dani. Graxa é meu apelido, meu "vulgo". Acho que essa coisa - do término e começo de um e do outro - rola em momento cabuloso. QUando tem lance cabuloso pra resolver, tipo: ir na Compesa ver porque que tão cobrando duas contas no mês, ou ir numa fila de banco e passar praticamente uma tarde lá, essas coisas quem resolve é "Angelo", as coisas mais bacanas, quem agita é Graxa. De certa forma, os dois são a mesma pessoa. é a questão do duplo, do Mr Hyde e tudo o mais, agora, dependendo do momento, o médico é o monstro e vice e versa. Tem uma simbologia que Tarantino usa em Kill Bill com super man que eu gosto muito. O "disfarce" de Kal el é Clark Kent, que é diferente com todos os outros heróis. Ele bem que poderia viver só de cueca vermelha voando por aí, mas por algum motivo, ele tem que ter um emprego naquela jornal lá.


5 - Pode não ser claro, mas no teu som vejo várias nuances políticas como na faixa "Um Bando de Crocodilos", essa questão te incomoda?

Acho que tem mais nuances políticas nesse segundo disco. O primeiro é mais pessoal, no sentido, voltado pra mim. Esse segundo tem mais questões políticas, com o foco - maior - em políticas culturais, consumo musical... então, e isso não me incomoda. Acho importante pensar, como pessoa em geral, sobres os sistemas que cercam a gente.

6 - "Aquele Disco Massa" vem com bons timbres, uma postura diferente, ele te trás alguma maturidade em relação ao "Molho"? Como rolou essa produção?

É. a forma de trabalho foi bem diferente. é uma questão de momento de acontecimento das coisas. o Molho existiu por uma força imensurável que Domingos fez por mim - como eu sempre digo a ele: sou e sempre serei eternamente grato a ele por isso. foi por ele que eu comecei a pegar noções de gravações e tudo o mais, depois eu que fui atrás de mais informação. No "disco massa" eu quis trabalhar de forma diferente. Acho uma mão na roda essas baterias de programação, mas quem detona e manja total nessa estética sonora é ele - como Matheus Mota também. Eu preferi aproximar o som do "disco massa" o máximo possível de uma reprodução em show, de acordo com a (minha) realidade em geral de quem tem banda por aqui de qual é. aí pra não ter que tentar correr atrás de todo um set de equipamentos e músicos pra que um show aconteça, dificilmente iria rolar, eu preferi fazer um disco do jeito que está o "disco massa". E outro motivo, mais importante, é a questão de que eu precisava fazer dessa forma. eu queria mesmo gravar o disco como se fosse apresentação ao vivo. Fiz a "mesma ideia" da gravação do molho, sendo que com a pegada orgânica, com a bateria de Marditu fazendo a linha. a gente tocou no engenho do som e depois fez os overs gerais, tanto a gente como os convidados. Leo Vila Nova percebeu evolução como músico e como trabalho. Adriano, que mixou e masterizou o disco me disse que é um disco de guitarra e que, segundo ele, a turma anda "com medo da guitarra". então, são coisas de cada momento e que cada momento desse tem sua importância. O disco massa também celebra o engenho do som, o estúdio onde tudo começou, pra mim, no ruock. E a sonoridade também. Um disco de rock, com riff e fuzz, também tem uns embalos nele. Noise, também, no final. Essas coisas. Mas os outros trabalhos, que não levam a alcunha de Graxa, tem outras estéticas de modelo também. como o Tsc... que é mais experimental. Tem o Biu Grease, que foi feito com instrumentos de samba tocando blues. por aí vai. (Eu quero muito fazer um de música estilo Stevie B, saca? Giogio... Uma parada dançante. discoteca e pá).


7 - Pra finalizar, bicho, como você tá trabalhando essa questão literária? A gente pode esperar um livro do Graxa (ou Angelo) em breve? Como você vem trabalhando isso?


Então. Vem sendo soltado no site Altnewspaper uns capítulos de um livro que eu tô fazendo de acordo com o passar dos dias, que se chama O mundo é um lugar maravilhoso. Recentemente eu estava conversando com André Arribas que faz um trabalho de lançamento de livros bem interessante, chamado Pé de letra, que ele faz os livros dele com material reciclável e distribui em eventos e em espaços públicos de bicicleta. é uma ideia muito boa que me dá todo o interesse de participar, ainda mais pela forma com que é feita que se aproxima com a ideia de muitos de nós que trabalhamos com música. eu vou falar com ele e organizar tudo pra fazer com que isso aconteça. 
P.S. Vou fazer também, ainda esse ano, um selo com lançamentos em fita K7. Em parceria com os músicos, afinal, né: num tenho como investir no trabalho dos outros, mas posso alguma coisa, como essa ideia que eu achei bem legal do disco massa do formato em cassete misturando a funcionalidade em diferentes formatos com o mesmo intuito: consumir música. Já estamos com uma equipe que vamos fazer desde lançamentos em K7, como camisetas com a máquina de serigrafia que eu tenho e tudo o mais - quem sabe até miniaturas de músicos daqui de Pernambuco. se isso rolar, o primeiro vai ser Paulo Diniz.. Como também isso pode se aplicar a literatura. Lançar livros do pessoal. 
Quem fez o logo foi Zalma e eu só tô esperando ele voltar de viagem pra que ele me mande esse arquivo. 

De Inicio eu vou tentar lançar, junto com Mingus, o Saturno Retrogado, nesse mesmo formato e ideia. Acho muito importante ter um tipo de selo desse aqui na cidade, que no momento, se não me engano, só tem a assustado disco, que trabalha com Vinil. E aí é isso! :)


segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Entrevista com My Gold Mask (EUA)


A noite de audição da coletânea foi incrível, queria agradecer aqui em nome de todos da coletânea pelo público que compareceu, tivemos a casa cheia e uma galera da coletânea como Ugo Barra Limpa e Privada Portal circulando por lá. Muita gente não pôde entrar por conta da lotação do espaço mas queria agradecer a todos, Evandro Q, Coxas D´Amélia e DJ Lu Medeiros por essa noite.  




Essa semana trago aqui uma entrevista com Jack e Gretta que fazem parte de uma das bandas gringas (na minha opinião) mais legais atualmente dos EUA e que participam da coletânea Recife Lo-fi Volume IV. Estou falando do My Gold Mask que vem crescendo em público no Brasil e atualmente está em excursão por diversas cidades dos EUA. A entrevista foi feita da mesma forma lo-fi (Facebook) através de uma ponte Recife - Chicago mostrando que musicalmente não podemos (e não devemos) manter fronteiras. Sem mais delongas, com vocês, My Gold Mask! 





Como se formou o My Gold Mask? Existiam projetos anteriores?

Jack: Eu toquei em várias bandas punk que ninguém deve ter ouvido falar. Gretta e eu tocávamos em uma banda de new wave/punk/pós-rock chamada Bang! Bang! Nós nos divertíamos bastante nessa banda mas queríamos fazer algo mais original, mais artístico.

Gretta: My Gold Mask começou mesmo apenas com Jack e eu, era um projeto de gravação caseira. Jack estava tocando guitarra de uma forma diferente da que eu estava acostumada a ouvi-lo tocar e isso foi me despertando melodias vocais que eram muito novas para nós no momento. Nós meio que apenas seguimos o fluxo, explorando sons, nos divertindo e descobrindo um novo lado "sônico" nosso. 

Vocês se conheceram através desses projetos? São todos de Chicago?

Jack: Gretta e eu nos conhecemos em uma festa em um "rooftop" aqui em Chicago há alguns anos e decidimos que iríamos tocar juntos desde a primeira noite que nos conhecemos!

Gretta: Somos de lugares diferentes, eu sou de Louisiana, Jack é de Nova York e James é de Chicago.

Quais as principais influências que vocês poderiam destacar? 

Gretta: Eu sou bastante influenciada por tudo ao meu redor. Mais especificamente, porém, eu tenho tendência por gravitar em torno de coisas melancólicas. Eu também sou inspirada por autores e poetas como Kathy Acker, Allen Ginsberg e Byron.

Jack: Eu escuto um pouco de tudo. Eu cresci com o rock mas tenho mergulhado muito em música eletrônica recentemente. Alguns dos meus sons favoritos são "girl groups" e psicodelia dos anos 60, synth pop dos anos 80, pós punk, grunge e techno dos anos 90, Hip-Hop, Metal, Pop, artistas como Purity Ring. Esses sons podem ficar dando voltas na minha cabeça, dependendo do meu humor. No entanto, essas são mais inspirações do que influências diretas.


photo by Drew Reynolds
                                                                                  photo by Drew Reynolds

O MGM era um duo em 2010 e agora são um trio, o que causou essa mudança?

Gretta: Enquanto a gente se preparava para gravar "Leave Me Midnight" trouxemos nosso amigo James para me ajudar com os detalhes das minhas partes de bateria. Quando ouvimos ele tocar nós realmente gostamos da sensação do trio. Aconteceu tão organicamente, o que foi realmente ótimo. Tomei isso como uma oportunidade de aprimorar e expandir minhas habilidades como vocalista.

Vocês produziram alguns videoclipes, qual a relação de vocês com o audiovisual?

Gretta: Bem, infelizmente, não utilizamos tanto da tecnologia audiovisual como nós gostaríamos. Estamos, no entanto, atualmente trabalhando e ansiosos para conseguir lançar mais videoclipes. O "Violet Eyes" foi filmado por Jim Newberry e "Burn Like The Sun" foi filmado por Jason Kraynek, ambos fotógrafos muito talentosos.

Jack: Nós realmente tivemos uma mão na direção de arte geral desses vídeos.



Quantas gravações vocês já lançaram?

Gretta: Até o momento registramos dois "discos cheios" e dois EPs. Estamos no processo de divulgar uma série de singles digitais que levarão ao nosso terceiro LP para ser lançado em 2015.

A música que está no Recife Lo-fi é "Some Secrets", fala um pouco sobre ela.

Jack: "Some Secrets" começou como uma introdução de guitarra como abertura e surgiu a partir disso. A canção é sobre como às vezes as pessoas gostam de falar sobre seus pensamentos privados e como às vezes é melhor não saber dessas coisas... Queríamos um som grande, dramático e atmosférico. Usamos muitos microfones de sala e muita reverberação no meu som de guitarra.


Você já tocaram fora dos EUA?

Gretta: Nós tocamos no Canadá algumas vezes, mas é o único país que já excursionamos fora os EUA, pelo menos até agora. Gostaríamos muito de ir tocar em Recife!

Seria ótimo! Eu conheci vocês no bar Piano´s (NYC), inclusive vocês tem a estrada como um ponto forte da banda certo?

Gretta: A estrada é onde estou mais confortável e eu acho que eu posso falar pelo resto dos caras ao dizer que nós realmente crescemos como banda na estrada. É um ótimo lugar para praticar nosso ofício e realmente lá a banda funciona como uma unidade. A solidariedade ajuda o nosso crescimento como músicos, sem dúvidas. 

E como é fazer parte uma banda independente nos EUA? Quais a dificuldades?

Gretta: Eu realmente não presto atenção nas dificuldades de ser uma banda independente aqui nos EUA. Eu faço o meu melhor para manter o foco e vou empurrando para frente com a nossa música!

Jack: Não podemos falar pelo resto do mundo, mas parece que os EUA não têm o mesmo sistema de apoio para os artistas que um lugar como o Canadá tem. Pode ser difícil se você não tem um trabalho fixo das 9h às 17h. Mas fazemos isso porque nós amamos e por que existem diferentes cenas em muitas cidades que realmente apoiam a música ao vivo.


Conhecem algum som brasileiro?

Jack: Estamos ansiosos para conhecer mais. Fizemos muitos novos fãs no Brasil o que tem sido uma agradável surpresa para nós. Nosso primeiro contato com a música brasileira foi com ótimas bandas pós-punk dos anos 80 que eu encontrei em algumas coletâneas incríveis!

Por falar em coletâneas, o que acharam da participação no Recife Lo-fi Volume IV?

Jack: É uma maneira maravilhosa de construir laços. Como uma banda, nós passamos juntos por tantos gêneros diferentes, não devemos nos preocupar com limites, fronteiras. Essa coletânea é uma ótima maneira de mostrar para as pessoas muitos sons que não poderiam ser ouvidos de outra forma, só fazendo todos ficarem juntos! Temos o prazer de ser parte dela.

Gretta: Eu acho que é ótimo poder reunir artistas do mundo todo!

Muito obrigado Gretta e Jack, quem sabe esperamos vocês em Recife em algum momento! 

Gretta: Nós que agradecemos. Escolham o dia e a hora e estaremos aí! ;)